Não tinha medo de morrer até me tornar mãe

 

Nunca fui uma pessoa muito aventureira, daquelas que apreciam esportes radicais ou experiências de alta adrenalina, porém o medo da morte não fazia parte dos meus sentimentos recorrentes até o momento que me tornei mãe.

Graças a Deus não senti esse temor durante puerpério, como algumas mães sentem muitas vezes em casos de depressão pós parto. Mas ultimamente, não sei se porque já não sou mais tão nova, confesso que qualquer bobeira que sinto já me faz bater medo de esteja com algo grave, e que meus filhos possam ficar desamparados (Sabe quando o Dr Google começa a ser consultado a cada sintoma? e dá sua habitual sentença de morte, claro rs)

Peraí, eu to me tornando uma velha hipocondríaca, é isso?

Eu divido a responsabilidade de criação com o pai deles, meu marido, e é claro que isso seria um conforto para que sentimentos como esse não me perturbassem. Mas recentemente houve por aqui todo um cenário que resultou numa crise de ansiedade que nunca tinha tido na vida.

Foi assim: meu esposo estava viajando a trabalho e ficaria fora por três semanas. Como não tenho parentes por aqui, evidentemente que já estava psicologicamente me preparando para enfrentar o trabalho dobrado na rotina com a casa e com os meninos, e também para uma exaustão mental bem maior, já que teria que lidar sozinha, o dia todo, com as brigas, cobranças de tarefas, estudar junto para as prova, etc…

Pois bem, depois de uma semana nesse panorama, um episódio me deixou muito assustada e impressionada: uma amiga da minha idade, com um dos filhos da idade do meu caçula, enfartou em casa, sem aparente motivo.

Na noite daquele dia que soube do enfarte dela, sintomas estranhos e incomuns tomaram conta do meu corpo: senti minha boca formigar e meu braço esquerdo doer e amortecer. Sentia falta de ar e uma sensação de desespero. Então conversei com meu pai que é psiquiatra, expliquei a situação e ele me disse que aqueles sintomas eram decorrentes de uma crise aguda de ansiedade que tive por causa do que ocorreu com minha colega, somado ao estresse da semana sozinha com os meninos.

Aí você vira para o seu corpo e fala: “vamos parar com essa palhaçada que você não tem nada, querido!” Mas infelizmente não funciona assim, embora eu já tivesse feito exames que mostraram que tudo estava bem, os sintomas persistiram por 3 dias. Busquei ajuda profissional e de amigos (que foi fundamental e agradeço muito por poder ter contato com eles). Na segunda noite do ocorrido, pedi para o meu filho mais velho dormir comigo no quarto (me senti mal por estar assustando o menino mas segura por ele estar ali do lado), deixei o telefone da emergência, e pedi para que ele ligasse caso eu o acordasse.

Enfim, tudo passou para o meu alívio, e minha amiga fez cateterismo, está se recuperando do enfarte e passa bem. Mas o que eu quero dizer pra vocês, que aprendi com tudo isso é: Não tenha vergonha de pedir ajuda para qualquer medo que esteja sentindo, peça ajuda a uma amiga mãe que você confie e com certeza ela entenderá e se prontificará a ajudar. E não é de hoje que costumo oferecer de coração aberto, ajuda às colegas mães (e não mães também), principalmente as que não costumam ter o respaldo de um cônjuge ou não têm parentes por perto.

Como disse no Instagram, penso ainda com mais admiração nas amigas mães solos, que muitas vezes sem nenhum apoio, devem se desdobrar muito mais, e podem ser que passem por isso que passei até com mais frequência. À elas e outras colegas mães, digo com sinceridade e empatia, se puder ajudar de alguma forma, podem contar comigo!

4 comentários em “Não tinha medo de morrer até me tornar mãe

  1. Eitha, que coisa não?
    Que bom que você melhorou =D Sei como é terrível ter umas crises assim e é bom ter seus filhotes por perto pra te ajudarem a te animar e passar por isso =D

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