Fui
chamada na escola dos meninos e me deparei com as seguintes queixas
sobre meu caçula (de 5 anos): é desatencioso, não responde de
imediato quando é chamado, ainda precisa de ajuda para escovar os
dentes e sempre deixa seus pertences no banheiro, não guarda a
lancheira depois do lanche, é desorganizado com o material e sempre
espera que os outros respondam e façam por ele.
Fiquei
assustada e comecei a pensar primeiro se ele teria alguma problema
relacionado a deficit de atenção, o fato dele ser distraído já é
bem conhecido por nós aqui em casa, mas não tinha ideia desses
outros problemas na escola. Perguntei pra coordenadora como deveria
proceder, e ela disse que no momento só queria me falar, e que
queria observá-lo por mais tempo, pois ainda considerava que ele
estava em período de adaptação, já que entrou na escola esse ano
e as pressas porque a antiga escola fechou.
Deixando
o assunto relacionado a “distração”um pouco de lado, comecei a
pensar naquela história da “desorganização”, principalmente
porque a coordenadora também comentou sobre meu filho mais velho (
de quase 7), que também era desorganizado com seu material.
Então
pensei... Será possível que... Não, não é possível...Será?
Sim, era óbvio: MEUS FILHOS SÃO FOLGADOS E DESORGANIZADOS porque eu
sou uma mama italiana que faz tudo por eles o tempo todo: peço pra
catarem os brinquedos, não fazem na hora, eu vou lá e cato, peço
para colocarem os pijamas, não colocam, eu vou lá e faço, demora
pra se limpar no vaso eu vou lá e...Gente o que é isso? O que me
tornei?
Eu
precisava tomar uma atitude, senão seria tarde demais, morariam
comigo até os 40 anos, só falariam comigo pra comer e pedir lençóis
limpos, não me ajudariam nem a molhar as samambais, nem dar comida
pros gatinhos. Já pensou? Isso precisava mudar já.
E
assim, respirei fundo e resolvi incorporar a figura materna do
capitão nascimento aqui em casa:
–Já
colocou o uniforme?
–Ah
mãe, pega lá mim, eu to assistindo... (com carinha de gatinho do
Shrek)
–Não,
primeiro você pega lá e põe, depois assiste. (respirando fundo e
com dorzinha no coração)
–Mãe,
você não colocou a pasta na escova pra mim?
–Você
já é bem grandinho e esperto aposto que sabe colocar sozinho.
E
assim, a rotina vai mudando aqui em casa, o amor e os cuidados
continuam o mesmo, mas as exigências aumentaram, porque eles
precisam aprender a se virar né? Afinal, eu não estarei ao lado
para sempre, precisam se tornar independentes, embora o coração de
mama protetora fique sempre apertado. Não percam os próximos
capítulos de: Sai da senzala, mãe!