Adolescente e celular: o monitoramento e a responsabilidade de fala nas redes sociais

Meu filho mais velho demorou bastante para ter um celular. Acabou herdando um da avó agora aos 13 anos e meio, e foi o último da sua sala a adquirir.  Os motivos pelos quais postergamos tanto essa aquisição foi primeiro porque não víamos uma real necessidade, já que ele usava para jogar games outros diversos aparelhos que tínhamos em casa. E também, principalmente, porque eu sabia que a posse de um celular na mão dele geraria mais trabalho pra mim e para o pai no lance da supervisão.

Enfim, mas agora o trabalho começou!

 

Adolescente com celular é adolescente vigiado

 

Desde o primeiro contato nos avisamos que o celular seria supervisionado, teríamos a senha e acesso a tudo que desejarmos e foi de comum acordo aceitar que um adolescente de 13 anos não teria que ter privacidade na internet.

Porém, não vou negar que me incomoda um pouco fuçar na intimidade dele, pois lembro que nessa época eu tinha minhas paquerinhas e tinha meus segredinhos, mas sei bem que o cenário era outro, e a verdade é que nós pais de adolescentes estamos bem perdidos, pois não temos referencia de modelos a seguir para essa nova era.

Deixei claro a ele quais eram os motivos pelos quais eu estaria interessada em monitorar seu celular. Além dos perigos da internet que todos já conhecem, como pedofilia, drogas, e possíveis más influências, também me preocupo com a responsabilidade de fala nas redes sociais, que estará inevitavelmente ligado sua imagem e seu caráter.

 

Sua fala nas redes sociais pode ser eternizada, então tome cuidado!

 

Com a empolgação do celular na mão, meu filho começou a participar ativamente de grupos de whatsapp de amigos, e embora não tenha escrito nada de grave,achei necessário  ter uma conversa sobre algo que conheço bem nesses anos todos produzindo conteúdo para internet: a responsabilidade de fala.

Expliquei que não é porque ele não é um influenciador ou tem muitos seguidores, que pode dizer qualquer besteira em grupos de amigos na internet. Que assim como na vida real, a gente pode brincar, falar besteira, zoar os amigos, mas que nunca podemos ultrapassar a barreira do respeito ao próximo e da empatia ao ser humano.

Expliquei que a responsabilidade de fala num grande grupo, ou numa outra rede social qualquer, deve ser tão grande quanto se estivesse falando num microfone num palco para milhares de pessoas ouvirem. E que já vi jovens que foram massacrados por dizerem coisas absurdas que eles se quer pensavam, não eram aquilo de verdade, mas que escreveram para “fazer graça” e se aparecerem para os amigos.

 

Monitorar X Confiar

 

Sei que é bem difícil encontrar esse equilíbrio, pois chega uma hora que precisamos confiar em toda educação que demos a eles e esperar os resultados. Mas também temos que saber que eles ainda estão aprendendo e ficarmos atentos para corrigir qualquer atitude ou pensamento errado que eles tenham. Sigo aprendendo e percebendo que não é fácil lidar com adolescência e essa nova era digital. Sugiro que sigamos todos juntos nessa jornada para compartilharmos experiências  e aprendermos cada dia mais.

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2 comentários em “Adolescente e celular: o monitoramento e a responsabilidade de fala nas redes sociais

  1. Oi Cynthia!! Concordo com tudo que escreveu!!! Aqui também demorou pra ater celular e só agora aos 16 que liberei Instagram! Já tive essa conversa com meu filho, inclusive quando li conversas que ele escrevia palavrão, ele não fala verbalmente por que escrever!! E já disse que privacidade ele terá quando for a hora, por enquanto vamos ficar monitorando.

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