Filhos na pré-adolescência: quando toda ironia que você jogou pro mundo volta pra você

 
Essa menina não é pré adolescente, mas usou uma técnica bem praticada por eles.
 
Toda sua fala é analisada minuciosamente por ele (a) procurando qualquer isenção, algo que você não tenha mencionado explicitamente e lhe dará o direito de burlá-la: “Mas você disse que eu não podia jogar no computador, e não no tablet…” Se você passa por situação parecida aí na sua casa, provavelmente você também tenha um filho(a) pré adolescente. Você também já se perguntou “Cadê minha criança fofinha que tava aqui até ontem?”
 
Essas mudanças de comportamento geralmente ocorrem na faixa de idade entre os 8 e 11 anos, variando de indivíduo para indivíduo, segundo sua maturidade biológica e emocional.
Eles têm argumentos para qualquer coisa que você fale, reclamam de tudo e colocam defeito em tudo que os pais e que os irmãos falam (principalmente), se sentem injustiçados e querem tomar suas próprias decisões. Usam ironia (aquela mesma ironia que eles fingiam não entender quando você utilizava), e não abrem mão de suas razões.  E começam a cada vez preferir as atividades em casa, sobretudo isolados com seus eletrônicos.
 
Concordo que não deve ser uma época muito fácil para eles, e eu na verdade lembro-me pouco dessa fase da minha vida, mas sei que é um período bem incômodo logo que eles se encontram em situações em que são crianças demais para encarar, e outras que são grandinhos demais para fazer. Mas confesso que lidar com a ironia, a rebeldia e o afronto não é nada tranquilo para nós pais, aqui em casa, preciso sempre respirar fundo para não perder as estribeiras, e às vezes acabo perdendo sim, gritando, e só depois quando me acalmo volto pra conversar (nada como deveria ser, eu sei)…
Embora a puberdade em si normalmente desperte mais inquietudes do que a fase que a antecede, penso que conduzi-los da melhor forma nesse período onde começam as mudanças seja essencial para vivenciarem uma adolescência sem grandes problemas.
A pedagoga e autora do livro “Como educar os filhos e colocar limites”, Cristina Cançado,   dá algumas dicas  para lidar melhor com os filhos nessa fase:
Conversas olhos no olho: e dizer que esperamos deles respostas ditas com a mesma gentileza que fizemos a pergunta (no meu caso, preciso deixar de lado os comentários irônicos, embora façam parte do meu ser rs)
Rotina: deixar claro que as regras da casa que não podem tem exceções e as regras que podem ter exceções (ex: horário do banho que pode mudar devido a um compromisso)
Elogie e ouça suas sugestões: por exemplo, concordar com uma sugestão de passeio ou atividade feita por ele(a).
Atitudes positivas: nunca tripudiar em cima dos seus erros e frustrações.
 
Sei bem que na prática é tudo mais complicado e imprevisível, e que na verdade preferíamos que eles continuassem sempre crianças, mas como não é possível, precisamos fazer nossa parte, e tentar mostrar-lhes que compreendemos as mudanças que estão passando. Quando conversamos com eles num momento calmo, livre de conflitos, percebemos que a essência da nossa criança fofa ainda está lá, envolvida por transformações e questionamentos em torno de quem são. Devemos então esclarecer que embora eles estejam crescendo e ganhando novas responsabilidades, e que suas opiniões podem sim passarem a ser mais respeitadas, ainda não podem tomar todas as decisões de suas vidas, que um dia essa liberdade chegará a seu tempo, mas por enquanto, é função dos pais os guiarem para que cresçam mais seguros e felizes.
 

Um comentário em “Filhos na pré-adolescência: quando toda ironia que você jogou pro mundo volta pra você

  1. Aqui tenho dois nessa fase 11 e 9 me desesperei pois não sabia lidar com tantas brigas por nada (sou filha única cresci sozinha)levei os dois no psicólogo pra me ajudar a psicóloga do mais velho se apaixonou por ele e me disse que eu não deveria ter levado ele lá que eu que não sabia lidar com os meus problemas e queria controlar tudo a da minha filha disse que ela precisava sim de ajuda e está até hoje e eu continuo aqui tentando lidar com a situação da melhor maneira possível pra ser diferente de como foi comigo,vivendo e aprendendo

  2. Estou sentindo muito essa situação por aqui, Cyntia com o meu mais velho de 9 anos. É difícil lidar, mas vou tentando fazer da melhor maneira possível. Só apelando pra literatura pra buscar mais informações mesmo. Obrigada pela dica! Bjs

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