O mundo secreto das mães no banheiro

Imagem: giphy
A partir do momento que a mulher engravida as relações com este específico cômodo da casa começam a se estreitar, logo que a micção se torna mais frequente do que nunca. E um dia desses estava eu no meu banheiro, filosofando sobre toda minha trajetória de vida de mãe naquele lugar, e como ela foi se modificando ao longo do crescimento dos meninos.

O início da trajetória

Quando meu mais velho era bebê, eu ficava sozinha com ele em casa, e quando ele dormia no carrinho, eu o colocava praticamente dentro do banheiro, com a porta totalmente aberta, para que eu pudesse tomar meu banho tranquilamente, sem correr o risco de não ouvi-lo chorar (neurótica, eu?)
Depois, fui ficando mais segura e deixando o carrinho um pouco mais longe da porta, que evoluiu para semiaberta. Então o que acontecia? Eu sempre ouvia o tal do choro imaginário… Eu sei, tudo neurose…

A jornada

Com o passar dos anos minha relação com o local só melhorou, e ele foi se tornando um porto seguro pra mim, uma espécie de mundo paralelo, um lugar mágico onde eu poderia comer aquele chocolate Lindt despreocupada (embora eles batessem às vezes perguntando o que era aquele barulho de embalagem se abrindo…). Lá, eu poderia me refugiar caso eles brigassem naquele nível que um veredito de mãe não agregaria nada, um lugar para sorrir, para chorar, para checar emails (tá,  eu confesso), para cantar Whitney, para me encontrar comigo mesma, como não amar aquele fabuloso local?

O presente

E hoje, posso dizer seguramente a vocês que nosso vínculo (meu e do meu amado banheiro), atingiu o mais alto nível de liberdade que uma mãe poderia almejar: a porta trancada. A porta trancada, meus caros, é a plenitude do ser, é o frescor, é correr de vestido floral numa propaganda antiga de desodorante, é o palco da vida, é o banho de água fresca no lindo lago do amor. E seria tudo perfeito se às vezes eu não desse umas mancadas e esquecesse a porta aberta. Teve até uma vez que o menino entrou, fazia um baita frio, e abriu o box para me falar que tinha um inseto que lhe perseguia na sala. Na sala, local onde o pai estava sentado ao seu lado no sofá. Entretanto, ele optou pelo deslocamento até a minha infortunada pessoa.

Enfim, me pergunto como será nosso relacionamento no futuro?

Seria uma possível porta aberta que se fecharia num golpe rápido ao escutar eles chegarem da faculdade? Talvez acompanhados? Só o tempo dirá… Por enquanto, sigo comendo meu chocolate…

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