A origem da compaixão – Um depoimento emocionante

Hoje no blog, trago a vocês um lindo depoimento. Conheci a Cíntia Kawasaki por intermédio de sua mãe, pessoa querida e caridosa, que me contou que sua filha, uma estudante de administração na FGV, estava na Tanzania fazendo um trabalho voluntário num vilarejo muito pobre chamado Mangoma. Fiquei encantada com a história e espírito solidário dessa minha xará, e quando ela voltou pude conhecê-la e perguntei se ela poderia escrever um texto para o blog, e para minha surpresa, me fez pensar ainda mais nos exemplos e conceitos que quero passar para meus filhos.

 Depois que voltei de um trabalho voluntário na África, muita gente me questionou “Porque você quis ir para um lugar tão pobre?”, “Como você teve coragem?”, “O que te motivou à isso?”. Diante de todas essas perguntas e, para ser bem sincera, nunca soube respondê-las direito, sempre respondi dizendo que decidi fazer o que fiz porque quero ser partícipe de uma sociedade menos desigual e, para isso, eu precisava sair da minha zona de conforto para genuinamente entender a realidade das pessoas as quais chamamos de “pobres’” Isso é a verdade, sem dúvida, mas outro dia me peguei pensando qual seria a origem mais pura dessa minha vontade… Uma imagem me veio à mente. A cena do que foi talvez o dia mais triste da minha vida. O dia em que encontrei o sítio da escola – o local onde plantávamos hortaliças para o programa de alimentação escolar e combate à fome do vilarejo – completamente alagado. Aquele sítio era o pedacinho de terra onde colocávamos diariamente todo o nosso carinho e amor na esperança por dias melhores. Ver tudo ir embora debaixo d’água foi a coisa mais brutal que já presenciei. Não só nós havíamos perdito tudo com o alagamento, mas todas as famílias agricultoras dos arredores, e isso significava que todas elas passariam por um período de fome extrema nos meses seguintes. Foi naquele momento que eu finalmente pude entender o conceito de vulnerabilidade que tinha tanto lido nos livros que retratam a pobreza. Minhas lágrimas escorriam sem parar e meu coração doía demais. Uma tristeza inexplicável. Foi nesse momento que posso dizer que senti o que é ter real compaixão, o sentimento mais intenso que já passou por mim… Procurei o significado de ‘compaixão’ e o Wikipedia diz o seguinte: “Compaixão (do latim compassione) pode ser descrito como uma compreensão do estado emocional de outrem; não deve ser confundida com empatia. A compaixão freqüentemente combina-se a um desejo de aliviar ou minorar o sofrimento de outro ser senciente, bem como demonstrar especial gentileza com aqueles que sofrem. A compaixão pode levar alguém a sentir empatia pelo outro. A compaixão é frequentemente caracterizada através de ações, na qual uma pessoa agindo com espírito de compaixão busca ajudar aqueles pelos quais se compadece”* Aí fiquei refletindo quando foi que eu aprendi o que é compaixão. E dessa vez quem me veio à mente foi minha mãe. Em todos os momentos da minha infância, adolescência e “adulteza”, foi ela quem ficou horas acordadas nas madrugadas quando estive doente, foi ela quem vibrou comigo em cada festinha de aniversário, foi ela quem sentiu meu sofrimento quando não passei no vestibular, foi ela quem sempre me estendeu a mão em momentos de rancor, foi ela quem quis me trucidar quando eu disse que iria para a África. Ela basicamente sente tudo que eu sinto a todo o tempo. De todas as minhas lembranças mais remotas até este momento, posso afirmar que tudo o que acontece comigo de alguma forma reverbera na coração da minha mãe. Ela sente, sofre e vibra comigo. Acredito que mães tem uma capacidade imensa de sentir compaixão e é exatamente por meio do olhar compassivo da minha mãe para comigo que a compreensão entre nós transcende qualquer racionalidade. Minha mãe que me fez de mim um ser humano melhor. Você, mãe (e pai também, rs), tem um papel fundamental e importantíssimo para que seus filhos sejam a mudança positiva que queremos ver no mundo. Quando sentimos compaixão, nos afastamos do “eu, eu, eu” e passamos a expandir nossa consciência para algo que é maior do que nossa individualidade, para algo que atinge o nosso próximo e o bem da coletividade. Por favor, nunca deixem de olhar fundo nos olhos de seus filhos! Dona Sonia, mãe querida, obrigada por ser o meu universo de compaixão!

“A compaixão tem pouco valor se permanece uma ideia; ela deve tornar-se nossa atitude em relação aos outros, refletida em todos os nossos pensamentos e ações” Dalai Lama 
“Descobri que o mais alto grau de paz interior decorre da prática do amor e da compaixão. Quanto mais nos importamos com a felicidade de nossos semelhantes, maior o nosso próprio bem-estar. Ao cultivarmos um sentimento profundo e carinhoso pelos outros, passamos automaticamente para um estado de serenidade. Esta é a principal fonte da felicidade.” Dalai Lama

Muito obrigada querida Cíntia, por compartilhar sua experiência tão inspiradora, tão linda, e que me fortalece a fé no ser humano. Quem quiser ver mais fotos e conhecer mais sobre o projeto que ela participou clique aqui. Abraço a todos!

Um comentário em “A origem da compaixão – Um depoimento emocionante

  1. "Cintias", estou em lágrimas e sem palavras…ao ver meus filhos tão amados, sei que a compaixão esteve e está presente em todos os meus atos para com eles e para com o próximo, mas ainda preciso "crescer" mai e ser melhor a cada dia. Obrigada queridas.Que linda lição de vida.

  2. Lindo, lindo, lindo! Ainda temos muito o que aprender sobre compaixão… Cintia é realmente um exemplo de pessoa, de mãe, de filha para nos inspirarmos.
    Obrigada por compartilhar essa história tão linda Cy!
    Beijo
    Débora

  3. Acho que não existe palavras para comentar esse post… sensacional. É uma lição que devemos praticar diariamente agora, e sim é possível. Bem próximo a nós sempre existe alguém que podemos aliviar um pouco o fardo, a dor.
    A Cíntia é um exemplo de coragem, de verdadeiro humanismo. Conhecia pessoas que sempre vão a África, mas como parte de projeto de igrejas. Hoje vejo é mais além, que é viver verdadeiramente a dor do próximo, sentir como se fosse dali.
    E você querida Cynthia, agradeço por essa raridade. Essa semana precisava muito de algo assim. Existe coisas tão preciosas na vida que não damos valor… Esse texto me fez muito bem!!!
    Beijos
    Mônica Soares

  4. Que depoimento mais lindo, Cyn!! Estava falando sobre solidariedade e compaixão com o Italo hoje, ele assistiu ao filme Corrente do Bem na escola e comentávamos o filme após o almoço.

  5. Ai que triste! Ver todo o trabalho ir literalmente por água abaixo deve dar um desespero, e ver sua comida sendo levada pela enxurrada também!!! Tuitei, compartilhei no G+ e feicebuquei!

  6. Que texto lindooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo, Cy e Cí queridas!!!
    Muito obrigada, eu me emocionei e me achei em alguns pontos meio em stand by…
    Beijossssssssssssssss cheios de carinho
    Vero

  7. A Cinthia realizou um sonho de infância. Eu dizia que queria ser missionária na África…
    Não tive coragem de se quer conhecer.
    São esses valores mesmo que eu quero passar pros meus 3… Brigada meninas, baita lição em poucas linhas.

Deixe uma resposta