Adolescentes no isolamento social

No início dessa quarentena, que objetiva o achatamento da curva de disseminação do vírus covid-19, eu fiquei até aliviada em ver que meus dois filhos de 12 e quase 14 estavam lidando bem com a situação do isolamento. Na verdade eles sempre curtiram ficar em casa jogando vídeo game, e nunca gostaram muito de saídas para shoppings e parques (eu e marido quem costumávamos incentivar).
Fiquei tranquila ao ver que, quando não tinham atividades da escola, estavam sempre convertendo com os amigos e jogando online. E conversando com as mães dos amigos deles, vi que muitos também estavam aparentemente lidando bem com a situação. Em outros casos, sobretudo as mães de meninas, relataram que elas estavam se sentindo abaladas com o confinamento, que choravam às vezes, e reclamavam de saudades dos amigos.

Mas depois de 2 meses em casa, será que eles estão bem?

É fato que passado 2 meses, a gente começa a se preocupar mais com o tempo que passam sozinhos, se estão se sentindo bem, se realmente nos falam tudo que estão sentindo, e nos perguntamos como isso tudo vai interferir no desenvolvimento deles.  A verdade é que todos nós fomos afetados de alguma forma com essa pandemia, e às vezes, fica difícil mantermos a calma em meio a tantas incertezas, e observando tantas vidas indo embora por causa da doença.

E nós mães é claro, também pensamos nos nossos filhos, principalmente por estarem enfrentando esse confinamento numa das fases de desenvolvimento mais difícil da vida deles, a adolescência.

Como sei  que muitos de vocês também podem estar com esses anseios, resolvi fazer esse post e pedi algumas palavras para minha amiga e psicóloga Patricia Lima, que entende bem o sentimento deles nessa fase:

A adolescência que já é marcada por mudanças físicas, emocionais, comportamentais e sociais, que já possui tantas demandas para aqueles seres que não são nem crianças e nem adultos darem conta, desta vez se superou… tudo isso e mais o isolamento social. 
Alguns pais se perguntam o porquê deles estarem tão abalados, afinal muitos já passavam os dias trancados em seus quartos, incomunicáveis e tão pouco sociáveis. 
A questão mais profunda é que o adolescente na busca de sua identidade própria apoia-se em seus pares para essa identificação e assim, se diferenciam dos demais,  e no momento, eles estão fisicamente indisponíveis.
 
Outro fato importante é que eles se isolavam  em seus quartos por escolha, e agora, não há mais essa opção, bem no momento em que estavam aprendendo a fazê-las, a explorar as possibilidades da própria vida, essas experiências lhes foram negadas, por isso, sentem o cerceamento de seu direito de viver. 
Há um sofrimento intenso, tanto quanto toda a intensidade da adolescência, há um luto pelos planos não concretizados, sonhos não realizados, pelas experiências não vividas, pela rebeldia não possibilitada… 
E a nós pais, resta acolher suas angústias e incertezas, enquanto guardamos as nossas,  pegá-los no colo e aconchegar como há tempos não queriam, esse é o momento de voltar pro ninho, mesmo que por falta de opção! 

Como amenizar a angústia deles?

Como disse a Patrícia, temos sempre que estar por perto, abraçá-los, e dizer que isso tudo vai passar. Aqui em casa eu consigo uma aproximação bacana com eles através da música, chamando pra tocar violão/teclado e cantar, ou assistir alguma série. Como os gostos de cada um variam, cabe a cada pai/mãe encontrar uma atividade que ambos tenham afinidade, para compartilharem e passarem um tempo juntos. Pois estar o dia todo na mesma casa, não significa propriamente estar sempre junto.
Enfim, espero que todos estejam bem, e que logo sairemos dessa! Quem quiser compartilhar algo sobre os filhos aqui no blog ou na página do FB, sejam sempre bem bem vindos!
E obrigada Patrícia pelas palavras, quem quiser o contato pode acompanhá-la no instagram psicóloga_ patylima

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