Quando paramos de rir da palavra “pum”

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 Um dia desses estávamos no carro indo para a escola, quando do banco traseiro os meninos avistaram as letras que davam nome ao veículo que estava a nossa frente: era da marca Fiat, modelo “Punto”, mas como as duas últimas letras plásticas se descolaram, o resultado foi a palavra: “pun”. E em questão de segundos uma explosão de risos tomou conta do interior do carro, e eu é claro, também entrei no embalo.
 Logo me lembrei da fase “xixi-cocô” que começou quando eles tinham uns 3 ou 4 anos, e se estendeu por muito tempo. Era instantâneo, mencionavam a palavra xixi, ou a palavra cocô, e isso era motivo para uns 5 minutos de gargalhadas indomáveis. Então comecei refletir:
 
Quando é que perdemos essa leveza da criança de rir de tudo? De encontrar coisas engraçadas e curiosas ao longo de um caminho que jamais notaríamos? 
É verdade que muitas pessoas ainda preservam essa dádiva de enxergar a vida de uma forma mais espirituosa, e eu particularmente, adoro ter essas pessoas ao meu redor, almejando um singelo contágio. E embora até me considere uma pessoa bem humorada e de bem com a vida, por diversas vezes me vejo desperdiçar momentos que poderiam ser mágicos e divertidos, por estar atrelada a pressa e ao maquinário do meu serviço a rotina trabalhando para que tudo funcione. Por exemplo, às vezes meu caçula pára de se vestir para me mostrar uma nova habilidade de careta que aprendeu a fazer, mas como estamos com pressa, acabo não lhe dando nenhuma atenção, com receio de que aquela parada nos atrase ainda mais. Isto me leva a concluir uma coisa um tanto quanto incômoda: quem reduz a leveza de espírito das crianças é a vida, é a rotina, são as crescentes responsabilidades, mas também somos nós!
 Vejo meu filho de 10 anos já pré-adolescente, e noto que ele está mais maduro e já não acha tanta graça nas coisas que achava antes, não se permite mais fazer certas “bobeiras de criança” que outrora se permitia. E eu, nessa loucura controversa que é ser mãe, tento fazer com ele amadureça, assuma mais responsabilidades, mas ao mesmo tempo nunca deixe de ter aquela leveza de ver as coisas de uma forma simples e divertidas que as crianças conseguem ver. E presumo que conseguir equilibrar essa suave essência durante o crescimento e amadurecimento não seja uma tarefa assim tão fácil, não acham?
Embora o dia 12/10 que embora seja por muitos considerado uma data comercial, acho justo que esses pequenos seres que nos ensinam tanto tenham uma data para homenageá-los, o que nos faz também nos lembrarmos um pouco da criança que fomos um dia. E diante disso, desejarmos que mesmo que de uma forma simbólica, sempre consigamos rir da palavra “PUM”.

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