Déficit de atenção – Mãe, você também vê isso?

déficit de atenção criança artista
– Mãe, você também enxerga isso?
– O que filho?
– Que esse tênis parece aquele quadro “o grito”.
 Foi nesse momento que meu coração acelerou e eu senti uma enorme culpa por tudo que andava pensando do ano passado para cá. Desde que suspeitas externas (e também observações nossas aqui em casa) nos alertavam que meu caçula teria déficit de atenção, eu internamente comecei a cultivar diversos medos e incertezas sobre o futuro dele: acho que terá dificuldades para entrar numa boa faculdade, será difícil encontrar um emprego convencional onde precise de muito foco e organização, será complicado dirigir… E mais sentimentos de medo, de angústia e… peraí!
 Quem sou eu pra prever essa série de coisas para uma criança? Por que estou direcionando um futuro baseada num rótulo que eu nem sei se é insolúvel? Logo eu, que costumo acreditar nas pessoas, sabendo que elas sempre podem nos surpreender ao longo da vida. Senti vergonha dos meus pensamentos, me odiei. Eu devo enormes desculpas ao meu filho, a Deus, ao universo.
Um pé de tênis que “lembra” o quadro famoso de Munch (que até então eu nem sabia que ele conhecia) transfigurou minhas convicções sem fundamentos, e dissolveu quase todo esse meu medo (porque um tiquinho de medo em relação ao futuro dos filhos, em qualquer circunstância, acho que toda mãe possui, não?).
 Meu caçula tem alma de artista! Não enxerga as coisas como eu, ou como o pai e o irmão e suas visões predominantemente lógicas. Mas sim, ele vai conseguir ultrapassar as etapas! Do seu jeito, na sua forma criativa de ver o mundo que eu tanto admiro (quisera eu enxergar o quadro do grito num tênis). É claro que continuaremos fornecendo a ajuda que ele precisa aqui em casa e buscando reforços externos para que ele evolua. Contudo, será preciso que ele acredite em si mesmo, e para tal é preciso que eu também acredite nele. 
Sintetizando esse post meio sem nexo, porém com muito sentimento, o que eu queria transmitir para você amiga mãe é isso: faça sua parte e acredite, sempre!
OBS: Este outro post introduz o assunto para quem não acompanhou.
Abraço e bom fim de semana!

Um comentário em “Déficit de atenção – Mãe, você também vê isso?

  1. Oi querida Cynthia, tudo bem…
    Poxa vida, eu entendo seus sentimentos e admiro mães como vc, que abrem o coração, mesmo diante do medo, do que os outros possam falar ou julgar…
    É bom dividir que podemos aprender com nossos erros, que podemos sim aprender com nossos pequenos…
    Comparações só levam ao medo, tristeza…
    Invista no amor, carinho, dedicação, e em todas as oportunidades que vcs podem oferecer, mas nem neuras. Seus filhos são lindos, saudáveis, e vc te uma família linda…
    Confesso que não penso no futuro. Tenho deixado o futuro para o futuro mesmo… Não sei se estou errada, mas não quero criar expectativas nem para mim e nem para o meu filho…
    A vida muda tanto, não é mesmo…? Então para que sofrer antes do tempo…? (Penso assim).
    Planto amor, boa convivência, e deixo que o futuro vai trazer coisas boas também.
    Bjs
    Ju
    http://www.maesemfronteiras.com.br/

  2. Amei a intensidade dos dois textos. E sim, essa visão dele do tênis *que fofo* foi algo muito positivo, como se ele quisesse de alguma forma dizer: Ei mãe, calma que tô bem.
    Lindas palavras e muito sinceras. Adoro quando você nos presenteia com textos assim.
    E que a cada dia o Matheo possa nos surpreender!
    Beijos

  3. Amei a intensidade dos dois textos. E sim, essa visão dele do tênis *que fofo* foi algo muito positivo, como se ele quisesse de alguma forma dizer: Ei mãe, calma que tô bem.
    Lindas palavras e muito sinceras. Adoro quando você nos presenteia com textos assim.
    E que a cada dia o Matheo possa nos surpreender!
    Beijos

  4. Tenho um irmão com TDAH. Ele tem 24 anos, é fisioterapeuta espacializado em neuro. Vou te dizer uma coisa, déficit de atenção não tem nada a ver com isso. Ele é chato e insuportável (como todo irmão), mas essa questão de "inteligência" não está ligada ao TDAH. Trabalhar as dificuldades, foi um trabalho mt grande que minha mãe fez.

    Ela se negou a dar Ritalina, ele fez terapia para aprender a lidar com a situação e se concentrar. Foram muitas situações, jogos de dama, xadrez, recompensas e situações que precisavam de concentração. Nós sempre ganhávamos, até que um dia, ele começou a ganhar… Mas ele teve uma ótima professora, ela foi parceira da minha mãe, as duas trabalharam juntas para que ele pudesse superar isso.

    Não foi fácil, ele é ainda é um cabeça de vento, ano passado foi atropelado por um ônibus pq vive nas nuvens, mas essa questão de aprendizado não está envolvida com isso. Ele estabeleceu uma rotina, pequenas coisas que o fazem prestar mais atenção nas coisas.

    Lembro que quando fazia faculdade, uma professora sempre falava "TDAH não é deficiência intelectual", infelizmente as pessoas e as escolas tratam esses alunos como se fossem. Muitas mães utilizam isso como "muletas" para o baixo desempenho do filho. Esse tipo de atitude só atrapalha. Qualquer pessoa com TDAH pode ter uma vida normal!

    Para mim, irmã de um TDAH, esposa de uma pessoa com todas as características de TDAH, (que não diagnosticada), mãe e professora, eles só precisam aprender lidar com a situação para conseguir superá-la, pois parecem reparar situações mais complexas com mais facilidade do que que aquelas mais simples… (veja só, ele ligou o tênis ao quadro "o grito", isso mostra uma criança com bagagem cultural acima do normal, mas que pode não ter atenção as pequenas coisas da escola ou do dia a dia).

    Só digo uma coisa. Não desista! Não é uma doença, não é dificuldade de aprendizado. Ele só precisa aprender a se concentrar e poderá fazer o que quiser da vida!!!

    Beijos

  5. Cynthia, como mãe de uma menino desatento e agitado, fica impossível não se identificar. Todas essas dúvidas, inseguranças e medo são sentidas pelos pequenos, não é mesmo? Por isso ser mãe é uma batalha diária para se fazer a coisa certa, sem manual de instruções!
    Muito corajoso da sua parte se abrir dessa maneira, deixar o coração exposto.
    O meu Arthur não tem TDAH, mas tem muitas dessas características, até a escola antiga já havia percebido e eu fico com o coração apertado só imaginando quais dificuldades ele vai encontrar pelo caminho. Não consigo evitar, por isso quero protegê-lo demais, ás vezes, o que acho que não ajuda muito, rs.
    Vou seguir mais o seu conselho, acreditar mais nele, para que ele também possa acreditar em si mesmo 🙂
    Obrigada por compartilhar,
    Bjs

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