Meu filho é desatento, e agora?

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Já há algum tempo notamos que meu caçula de 6 anos é desatento, desorganizado, e bastante esquecido. Mas quando a queixa começou a vir da escola a preocupação foi ficando maior. Confesso que me torturava achando que se o levássemos a um neurologista/psiquiatra infantil, com essas queixas que temos dele,  iriam medicá-lo sem qualquer ressalva. Pensamento precipitado e preconceituoso eu sei, e mesmo depois que meu pai (que é psiquiatra) me disse que o caso dele não parecia ser daqueles que precisam de medicação, eu tinha medo…Medo de mãe, sabe?  Medo de ter que dar mais remédio pro meu filho que já toma tantos outros (para o hipotireoidismo e o GH), medo de vê-lo se apagar, medo de vê-lo se calar ingerindo uma droga que poderia não ser necessária para que ele conseguisse se focar o suficiente. Embora eu saiba, claro, que há casos que a medicação poderia ser fundamental…
Mas enfim, por conselho do pediatra, começamos as investigações procurando uma Fonoaudióloga para uma avaliação. Ela nos explicou muita coisa, e observou exatamente o que já sabíamos sobre ele: disse que sua parte cognitiva era intacta (graças a Deus), que ele é muito inteligente,  criativo, consegue executar tarefas mais facilmente quando um estímulo visual é oferecido, mas que tinha dificuldades de processar as informações auditivas (embora escute bem). Tem dificuldades em planejar e organizar as informações para executar uma tarefa. Disse que muitas caracteristicas lembravam sim, as de déficit de atenção, mas que esse diagnóstico só pode começar a ser feitos depois dos 7 anos de idade, assim como a avaliação do processamento auditivo central.
Ela nos contou que poderia nos ajudar desde já com exercícios e jogos que vão treiná-lo a processar melhor  as informações auditivas, para que ele consiga realizar suas tarefas cotidianas e escolares mais facilmente. E que nós aqui em casa também teremos nossos papéis nesse treino, assim como a professora na escola.

Então continuaremos apenas com as sessões na fono por enquanto, e estamos esperançosos por uma melhora até o ano que vem, quando as atividades escolares ficam mais intensas e a falta de foco pode atrapalhar muito. Nós confiamos nela,  que disse nos avertiria se chegasse a uma etapa em que fosse necessário a busca de outros profissionais. Por enquanto é isso, vou contando nossas evoluções, e sigo transbordando de amor, e  me encantando com cada ideia brilhante, e cada gesto fofo desse meu menino distraído.

Um comentário em “Meu filho é desatento, e agora?

  1. Ai Cy… a gente tem medo mesmo ne?
    Leio tanto sobre o uso indiscriminado de drogas para ansiedade que fui lendo e foi me dando um frio na espinha!
    "medo de vê-lo se apagar" isso é o que mais dói para as mães ne? e vejo crianças medicadas e tenho pena… porque talvez os pais/responsáveis não tenham a visão global e se apeguem a primeira solução…
    beijao para vc
    Lele

  2. Tao lindo seu post! Parabens por encarar o problema de frente, mesmo sentindo medo. Tengo visto tantas mães com filhos que praticamente imploram por ajuda, mas se recusam a aceitar, se escondendo atrás dos mesmos preconceitos que vc citou. Vc é uma mãe porreta!!
    Bjs
    Tati

  3. Poxa Cynthia, você é uma super mãe mesmo, chega a se destacar… é muito bom ser informada sobre tudo mesmo.
    Realmente a frase: "medo de vê-lo se apagar" doí até na gente que sempre te acompanha. E isso jamais acontecerá, pois tenho certeza que com tanto talento que você tem, cada dia será uma mega vitória!
    E o post tá lindo, sincero e muito informativo.
    E o Matheo deve ser um fofo mesmo, viu? Cheirinho nele e sempre que tiver novidades nos conte para vibrarmos juntos de alegria!!!!!!!!
    Beijos

  4. Eu senti o mesmo que a Helena quando comecei a ler, que o médico já ia encher o teu menino de remédios, foi o que aconteceu com uma conhecida minha.
    Fico feliz por vcs terem uma outra opção que não seja o medicamento, fé que tudo vai dar certo.
    Bjs

  5. Cynthia!!
    Parabéns por ser essa super mãe atenta e informada, pois são esses fatores geram o crescimento de crianças felizes, mesmo quando apresentados à algumas dificuldades!
    Por estar atenta, o filhote pode ter um acompanhamento e superar essa dificuldade, sem nenhum trauma e medicamento que "apaguem a sua luz"!
    Mais uma vez Parabéns!!!
    Bj Bj
    Pri Aitelli
    http://www.mamyantenada.blogspot.com

  6. Acabei de descobrir seu site.
    Me identifiquei com esse post, moro no Japão e estou passando por algo parecido com meu pequeno de 6 anos

  7. Oi Cy,

    Fique tranquila pq realmente, as vezes, é só uma questão de treino para que todas as funciōes neurológicas se reorganize.
    Continue atenta para não torna- lo dependente dessa constatação. Isso é mais poderoso do q se pensa e acontece com mais frequencia do q somos capazes de perceber.
    Então não deixe de apostar na atenção e memória dele, facilite o processo em coisas pontuais, mas cobre no dia dia. Pode ter certeza q isso é o maior aliado para o sucesso do tratamento e de seu filho.
    Lembre-se q na vida podemos escolher o q é para se ter na memória ou o q nos é importante e q merece nossa atenção, SÓ na vida ESCOLAR isso não é permitido.
    Bjs
    Mari

  8. Cy,eu concordo com vc e com a fono.Sou professora do terceiro ano e , infelizmente, venho percebendo que os médicos estão cada dia mais indicando a tal da ritalina…as crianças ficam bobas, tolas, sem ação…dá uma dó.É claro que há casos e casos, mas por muitas vezes observo a negligência de pais e de médicos… Nesse ano tenho um aluno bem desatento,na conversa com os pais, percebi um desapontamento deles em relação ao filho, queriam que ele fosse mais , que ele tivesse melhores notas, enfim, queriam um filho mais do que perfeito.Apesar de todas as minhas colocações, eles ainda continuam com uma postura autoritária e de cobrança de notas, agora o menino diz que é ruim em História, pois foi mal em duas provas…5 e 6,5….Tiraram-lhe o videogame, a TV, o álbum da Copa…E irão levá-lo a um neuro infantil.Acho que alguns pais deveriam ter mais paciência, mais sabedoria , dar mais tempo à criança para amadurecer e se organizar, sem comparar, sem cobrar demais.Vc está no caminho certo.Beijos.

  9. Oi Cy! Entendo este seu medo, viu? Também sofri dos mesmos questionamentos há um tempo atrás, mas não por falta de atenção do Italo, mas por ele aprender rápido e ás vezes até sozinho. Quando comecei a conversar com outras mães com filhos que tinham essas características, fiquei sabendo que muitas dessas crianças tinham sido diagnosticadas com Déficit de atenção, quando na realidade estavam era desinteressados porque já sabiam o que os professores ensinavam ou não davam sossego para as mães porque são crianças ávidas por aprender. Complicado!
    Mas que bom que tudo correu bem e vocês estão tirando de letra! Torço muito por vocês! bjs

  10. Oie Cy
    me emocionei com seu depoimento porque a minha filha foi diagnosticada com déficit do processamento auditivo, quando ainda estava no ensino fundamental. Com as sessōes de cabine, com acompanhamento de fonoaudióloga, o que ajudou bastante.
    beijos
    Re

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