LinkQuando eu cursava o ensino fundamental, nos áureos anos 80 (Fala, Fofão!), bullying não existia, quero dizer, na verdade ele não tinha nome... Fato que talvez até atenuasse esse ato de “tirar sarro” dos colegas. É claro que existiam os casos extremos de humilhação que eventualmente geravam punição, mas no geral o “tirar sarro” era comum e até certo ponto era tolerável. E a minha pessoa, é claro, estereotipada nuns óculos de armação preta “a La Chiquinha”, com sorriso estreito todo metalizado e com um arquipélago de espinhas na cara, não escapava de tais gozações.
Nesse último domingo no fantástico teve uma matéria sobre bullying. Mostrou algumas vítimas desse mal e seus conseqüentes traumas. E deu dicas para que os pais identifiquem os filhos que podem estar sendo vítimas disso e não se permitem falar. Mas sabem do que senti falta, e o que mais me preocupa? Não saber um dia identificar se meu filho é praticante de tal ato.
Sei que mergulho na pieguice dizendo isso, mas o que mais que aterroriza é pensar os valores que passamos podem se sublimar um dia por essa vida e com isso sermos surpreendido com um desgosto desses. Afinal, onde estão esses pais de “bullynadores”? Eu não conheço nenhum pai que conte que o filho pratica isso. E se parecem estar no nosso meio, onde estão? Será que esses pais são completamente omissos ou coniventes com isso?
Bem, voltando à década das polainas, conheço o destino de alguns “bullynadores” e de alguns “bullynados” da minha antiga escola. E acreditem, como num filme heróico desse mesmo tempo, os bullynados tomaram rumo bem mais promissor que os bullynadores, onde alguns se perderam nas sarjetas da vida. Entre as bullynadas, teve uma que foi até embora da cidade, depois voltou de cabaça erguida, a La Tieta do Agreste.
LinkNota: Peço POR FAVOR que não entendem esse texto como apologia ao bullying ou qualquer que seja o nome, só quis relembrar o quanto isso parecia deixar menos trauma quando não tinha nome. E sobre a preocupação enfraquecida em identificar os bullynadores, possível chave do problema.






